“Tenho medo de um dia perder o sentido das coisas, de não ter mais respostas e sequer me lembrar das perguntas, de não ter amor no mundo que caiba em todas as pessoas ou saudade que seja preenchida com presença. Tenho medo de um dia a distância ser maior que os passos, de ninguém ver valor em ninguém, de olhar para o lado e estar sozinha, e ver que todos estão assim. Tenho medo, medo de não saber me curar das dores da vida, medo de não mais me surpreender, de não mais me querer bem, medo de como as coisas tomam rumo e eu não conseguir prendê-las. Tenho medo da necessidade constante de ser feliz, porque chega uma hora, num certo tempo, que não sabemos lidar se não tiver com sorriso no rosto, mas também não sabemos colocá-lo sozinho, sem ajuda de ninguém. Imatura talvez, por ter medo de tudo e não saber me virar sem nada, mas adulta talvez, por ter medo do incerto de amanhã e não querer sonhar, porque talvez hoje acabe logo adiante. É que tenho medo do bom não ser tão bom que dure para sempre, tenho medo de um amor não ser amor e se perder, medo de não saber, não saber viver sem esperar por alguém, sem amar alguém, sem ter o amor de quem eu quero ter pelo resto da vida. Na verdade, tenho medo de um dia eu me perder, de tudo, de todos, e perder de mim o que eu quero pra sempre.”
