18/9/2013 às 00h15
Assassinatos em família podem ter sido encorajados pelos anteriores, diz especialista
Segundo psiquiatra forense, apenas uma doença mental explicaria mortes na Grande SP
Os assassinatos de qu
A sequência de mortes entre familiares foi: cinco pessoas da família Pesseghini foram encontradas mortas em casa, na Vila Brasilândia e o principal suspeito é o filho do casal, que também teria se matado; em Cotia, na Grande SP, o pai é suspeito de se envenenar e também a mulher e aos filhos; no Butantã, zona oeste da capital, uma mãe é suspeita de ter assassinado as duas filhas adolescentes, de 13 e 14 anos, e tentar se matar; e, na madrugada desta terça-feira (17), em Ferraz de Vasconcelos, uma mãe e quatro filhos foram assassinados, possivelmente envenenados.
Para Antonio Serafim, psicólogo que atua no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e na UMESP, a divulgação de mortes pode acabar impulsionando outros casos de violência.
— Você encontra pessoas com características paranoicas, persecutórias. E, na efervescência da divulgação de determinados eventos, acabam contaminando o pensamento dessas pessoas e faz com que elas acabem reproduzindo esse comportamento.
Segundo o psiquiatra forense Guido Palomba, a divulgação pode influenciar um pouco essas pessoas, mas seria um pequeno fator no pensamento do autor dos crimes.
— Existem duas possibilidades [para a proximidade dos casos]: apenas uma coincidência ou um pouquinho do efeito cascata. Ou seja, não é que o fato de uma pessoa ter praticado [o crime] vai determinar a outra pessoa a praticar. Mas sabe quando o vasilhame está muito cheio e você põe mais uma gotinha de água e transborda? Ou seja, não tem força de desencadear [as mortes], mas pode ser mais um complemento. Nada mais que isso.
Saúde mental
Serafim explicou ainda que “geralmente crimes de família têm muito mais a ver com questões de saúde mental”. Ou seja, são pessoas que já possuem histórico de alguma doença mental e que podem ter sido influenciados por algum fenômeno externo, como problemas financeiros ou uma briga. A morte da família seria um “mecanismo para não gerar decepção”.
— A pessoa não cometeu o suicídio sozinho por vergonha, por toda a imagem que ela acredita que tem diante de todos. Então ela cria esse mecanismo de eliminar todos, como uma forma de não deixar os vestígios, para que gere nenhum conflito, qualquer decepção.
Palomba concordou que apenas um caso de doença mental grave explicaria as mortes em família, como no caso do Marcelo Pesseghini, a morte das irmãs no Butantã e o assassinato da família em Cotia. Segundo ele, no caso da mãe que matou as filhas, “não há outra explicação possível nesse caso”.
— E essa doença grave faz parte dela [suspeita], ela nasceu assim. Não são reações a vivências dolorosas ou apenas frustrações, mas doença mental grave. (...) Todo suicídio é um estado de doença mental, porque você está se voltando contra um instinto de preservação.
